Mania de Maria, de querer ser João
João é leve
João é breve
Cheiro infindo sensação
Sopro de cócega permissão
João morreria sem Marias como são
Maria é doçura
Maria é tortura
Vida solar solução
Descanço secreto amarração
*
Destino de João, de querer ser Paixão
João é olhar
João é tocar
Pulmão pulsando coração
Coração pulmando pulsação
Maria saberia se não lhe dissesse João
Maria vê
Maria crê
Broto de rosa intuição
Mente alma palma da mão
*
João distraído em complicada atração
João de agarrar
João de sonhar
Impulso deságua ação
Cama viva cordão
Maria de vestido em meio a multidão
Maria dança
Maria trança
Calma elegante tentação
Caos ruído contra mão
*
João dividido entre o sim e o não
João de perigo
João proibido
Ar em assalto confusão
Sangue correndo percussão
Agonia de Maria, de só ser sofreguidão
Maria que ama
Maria que chama
Dor de mulher furacão
Medeia versus Jasão
*
Mania de Maria, de querer ser João
João é quente
Maria é semente
Reina queima fecundação
Foco toco adoração
João morreria sem Marias como são
João de maldade
Maria de saudade
Paciência calma proteção
Yemanjá colo oração
quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
- O que eu teria dito -
Não deita nesse colo aí que já não te comporta mais. Você cresceu, inflou. Precisa de espaço para que nasçam novos limites em outros terrenos.
Agora há um novo par de lábios a te umidecer. Olhos de natureza a percorrer suas nuances. Seus suspiros, seus suores, sua saliva... Nada em você reconhece mais o endereço antigo. E nem deveria... Se seu corpo só esquenta contra o meu, o que seu calor haveria de fazer por aí? No mundo há tantos corpos, tantas misturas. Por que se ater ao singular quando o plural está pulsante, colecionando singularidades mis? E eu já vi sua pluralidade, então não a negue. Ignorá-la é incitar alergias no plexo solar, sonhos desvirtuantes, tentações. E há tantas coisas em comum, tantas coinscidencias... Aqui ninguém gosta de arroz. Ou de roupas. A gente te prefere nu. A gente também gosta de só dormir agarrado, de arrebentar calcinhas, de atirar travesseiros, de usar bigodes, de dançar quando tocam música. A gente também adora te beijar. Costas, pescoço, peito, barriga, pernas, dedos, palmas, lábios, lábios, lábios... São tantos lábios...
Já me disseram que só há dor onde há resistência. Então, quando a confusão passar, de certo passará, e você voltar a sorrir sinceramente, abra os olhos e enxergue que o pedaço que está faltando aí é o fluxo que você teima em não obedecer, destruindo a organicidade sensorial natural da vida. Ele virou liberdade com gosto de pele. Minha pele. E eu te desafio a vir buscá-lo.
Agora há um novo par de lábios a te umidecer. Olhos de natureza a percorrer suas nuances. Seus suspiros, seus suores, sua saliva... Nada em você reconhece mais o endereço antigo. E nem deveria... Se seu corpo só esquenta contra o meu, o que seu calor haveria de fazer por aí? No mundo há tantos corpos, tantas misturas. Por que se ater ao singular quando o plural está pulsante, colecionando singularidades mis? E eu já vi sua pluralidade, então não a negue. Ignorá-la é incitar alergias no plexo solar, sonhos desvirtuantes, tentações. E há tantas coisas em comum, tantas coinscidencias... Aqui ninguém gosta de arroz. Ou de roupas. A gente te prefere nu. A gente também gosta de só dormir agarrado, de arrebentar calcinhas, de atirar travesseiros, de usar bigodes, de dançar quando tocam música. A gente também adora te beijar. Costas, pescoço, peito, barriga, pernas, dedos, palmas, lábios, lábios, lábios... São tantos lábios...
Já me disseram que só há dor onde há resistência. Então, quando a confusão passar, de certo passará, e você voltar a sorrir sinceramente, abra os olhos e enxergue que o pedaço que está faltando aí é o fluxo que você teima em não obedecer, destruindo a organicidade sensorial natural da vida. Ele virou liberdade com gosto de pele. Minha pele. E eu te desafio a vir buscá-lo.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Manhosa 1.
“Um dia, gatinha manhosa, eu prendo você no meu coração. Quero ver você fazer manha então...”, ele cantava para ela diariamente. Ela ria, mostrava a língua, franzia o nariz em inocente desdém. Não queria mais ser tratada como uma criança, apesar de ter deixado a infância apenas em sonhos que se tornariam brutalmente lúcidos mais tarde, como em susto, por obrigação.
Ele jamais a trataria de outra forma que não a de um urso apegado a um filhote de gato, ou gata. Protegendo com enormes e desajeitadas patas um ser que em sua palma peluda e virgem se aconchegava em paz e dormia o mais leve dos sonos, imaculado. Ele o lamberia em banho, cuidaria de uma ferida ou outra que o viver teimasse em lhe dar, saciaria sua fome e sede, o deixaria viver em qualquer parte do seu corpo como o bel prazer lhe coubesse.
E assim seria enquanto ele vivesse.
Ele jamais a trataria de outra forma que não a de um urso apegado a um filhote de gato, ou gata. Protegendo com enormes e desajeitadas patas um ser que em sua palma peluda e virgem se aconchegava em paz e dormia o mais leve dos sonos, imaculado. Ele o lamberia em banho, cuidaria de uma ferida ou outra que o viver teimasse em lhe dar, saciaria sua fome e sede, o deixaria viver em qualquer parte do seu corpo como o bel prazer lhe coubesse.
E assim seria enquanto ele vivesse.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
"A Serenata"
"Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"
Adélia Prado
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"
Adélia Prado
Quero me ter e te ter não me detém.
Não me tenho, pois não se pode ter o que não se apreende.
Um não sei verbalizado, mimado. Gelado.
Não se cabe em mãos ou órgãos. Está no ar.
Quando se inspira e infla. Nos músculos deconhecidos. Em têmporas...
Caia em mim e em si. Demore em mim que solto a ti.
Solta-me a mim também! E sejamos brisa eu e tu, como num só respiro eterno.
Árvores divinas. Vivos.
Não me tenho, pois não se pode ter o que não se apreende.
Um não sei verbalizado, mimado. Gelado.
Não se cabe em mãos ou órgãos. Está no ar.
Quando se inspira e infla. Nos músculos deconhecidos. Em têmporas...
Caia em mim e em si. Demore em mim que solto a ti.
Solta-me a mim também! E sejamos brisa eu e tu, como num só respiro eterno.
Árvores divinas. Vivos.
domingo, 25 de julho de 2010
Maçã
São 22:01h e ela acabou de sair do banho. Dá para sentir o cheiro do perfume do hidratante daqui. Pé apoiado no vaso sanitário em uma cena clássica de deleite. Meu deleite. As mãos subindo dos pés à coxa, massageando cada pedaço de pele lisa, branca. Ela está usando um hidratante diferente, mais cheiroso, deixando claro que a noite será fértil. Quero que seja fértil.
Colocou uma lingerie preta – ela fica linda de preto. Passa as mãos nos cabelos ondulados, os deixa cair sobre o ombro esquerdo e me pede para abotoar o sutiã, como quem passa só o dedo de doce na boca de uma criança. Seguro as alças e olho por cima do ombro direito, como ela espera que eu faça, procurando seu colo.
Seu seios são perfeitos, esnobes, rosados. Foram os primeiros a despertar minha curiosidade quando a conheci. Sob a blusa verde, apertada, assistia o seu espreguiçar naquela mesa de bar hipnotizado, sem saber se seria capaz de voltar a mim, querendo me perder ali naquele momento como um bebê faminto. Ela percebeu - como não perceberia meus olhos derretidos, minha língua a passear pelo céu da boca, salivante? - e, exibida que só, fez questão de precisar se alongar mais um pouco. Eu adorei. Talvez mais alguns também.
O vestido de seda azul fui eu que dei. A seda tocando seu corpo me faz entender como uma mulher deve ser tocada. Um tocar tão leve que estimula qualquer fio a se levantar e ver o que acontece, calmo, degustado, fresco. Um não-tocar ouriçante soberbo. A maquiagem é leve, o perfume é natural.
- Você tem certeza? – Ela me perguntou.
- Toda, eu afirmei.
- Como estou?
- Como se pecasse a todo segundo.
Se debruçou sobre mim e me beijou. Doce. Seu beijo confunde, parece-me brincar com uma lichia bem lisa, daquelas que águam a boca só de tocar a língua. Com minhas mãos em seus quadris me senti instigado a acariciá-la e sugar aquele pedaço de pele para a minha palma, levantando o seu vestido azul por conseqüência. Não o fiz e alimentei nela ainda mais a idéia da proposta feita. Estava excitado com a possibilidade que se abriria a partir daquela noite. Ela não precisava dizer nada, era só olhá-la que seu corpo respondia com precisão.
Assim, ela atravessou a porta às 22:43h para voltar depois das 03:30h um pouco menos imaculada. Eu a esperava acordado.
Colocou uma lingerie preta – ela fica linda de preto. Passa as mãos nos cabelos ondulados, os deixa cair sobre o ombro esquerdo e me pede para abotoar o sutiã, como quem passa só o dedo de doce na boca de uma criança. Seguro as alças e olho por cima do ombro direito, como ela espera que eu faça, procurando seu colo.
Seu seios são perfeitos, esnobes, rosados. Foram os primeiros a despertar minha curiosidade quando a conheci. Sob a blusa verde, apertada, assistia o seu espreguiçar naquela mesa de bar hipnotizado, sem saber se seria capaz de voltar a mim, querendo me perder ali naquele momento como um bebê faminto. Ela percebeu - como não perceberia meus olhos derretidos, minha língua a passear pelo céu da boca, salivante? - e, exibida que só, fez questão de precisar se alongar mais um pouco. Eu adorei. Talvez mais alguns também.
O vestido de seda azul fui eu que dei. A seda tocando seu corpo me faz entender como uma mulher deve ser tocada. Um tocar tão leve que estimula qualquer fio a se levantar e ver o que acontece, calmo, degustado, fresco. Um não-tocar ouriçante soberbo. A maquiagem é leve, o perfume é natural.
- Você tem certeza? – Ela me perguntou.
- Toda, eu afirmei.
- Como estou?
- Como se pecasse a todo segundo.
Se debruçou sobre mim e me beijou. Doce. Seu beijo confunde, parece-me brincar com uma lichia bem lisa, daquelas que águam a boca só de tocar a língua. Com minhas mãos em seus quadris me senti instigado a acariciá-la e sugar aquele pedaço de pele para a minha palma, levantando o seu vestido azul por conseqüência. Não o fiz e alimentei nela ainda mais a idéia da proposta feita. Estava excitado com a possibilidade que se abriria a partir daquela noite. Ela não precisava dizer nada, era só olhá-la que seu corpo respondia com precisão.
Assim, ela atravessou a porta às 22:43h para voltar depois das 03:30h um pouco menos imaculada. Eu a esperava acordado.
domingo, 25 de abril de 2010
"Yé yé omo ejá"
Mudanças que o vento traz
Com minha letra infantil
Escrevo
As ondas do mar-arraz
Da África e do Brasil
Almejo
Cria das ondas e das nuances
Fertilidade que pári uma dezena
de centenas de milhares
Em meio a todos
Me escolheu para se parir
Aos 24 anos de idade
Com minha letra infantil
Escrevo
As ondas do mar-arraz
Da África e do Brasil
Almejo
Cria das ondas e das nuances
Fertilidade que pári uma dezena
de centenas de milhares
Em meio a todos
Me escolheu para se parir
Aos 24 anos de idade
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Roupa Suja
Sobre aquela noite eu prefiro não comentar. Eu tinha bebido um pouco e conversado com uma amiga sobre assuntos do coração. É onde as mulheres lavam suas calcinhas, não há como não se alterar!
Mudamos de cadeira algumas vezes, roubamos uns cigarros, não sei bem ao certo de quem eram. Tinha um rapaz meio cabeludo tentando calçar um tênis 39 sem sucesso que fumava também. Acho que os cigarros eram dele. Mas não sei se ele tinha isqueiro porque o vi tentando ascender o cigarro na boca do fogão quando queimou as mechas da frente do seu cabelo. Ele até se assustou, mas rapidamente apagou com a mão direita, tossiu duas vezes e olhou em volta para saber se era assunto ou motivo de piada em alguma mesa.
Enfim.
Conversamos sobre coisas que se conversa quando você não encontra um amigo há muito tempo. Ela tinha casos para me contar e eu fatos, no fundo desculpas que arrumamos para que nossas vidas fiquem um pouco mais interessantes. O cigarro é uma delas.
Fizemos questão de beber além da conta. A todo momento a conversa era interrompida para irmos até a cozinha buscar mais cerveja. Meu passo é mais largo que o dela, tenho pernas mais compridas e de alguma forma mais urgência de vida. As nossas angústias são quase as mesmas. As paixões também. Estava com saudades e não sabia. Falamos por alto sobre os assuntos banais e nos empolgávamos a cada momento, notando que o assunto preferido estava chegando. O nariz coça incomodado pela fumaça e a cerveja nem está tão gelada assim, mas o ritmo não para e nem os olhares em busca talvez, de uma real motivação, algo concreto para se deixar levar. Quanto mais enfeite, melhor.
Um tapa, dois tapas. Vejo a emergência em que seu corpo se encontra, algo precisa ser dito. Algumas frases de efeito, pensamentos formados pela defensiva, o efeito do álcool esquentando o sangue... “Se eu pudesse, estaria com ela agora.”, eu penso. Tudo nela pulsa, é vida, é cor. Ela está pronta, pena é não perceber... Deixa pra lá
Mudamos de cadeira algumas vezes, roubamos uns cigarros, não sei bem ao certo de quem eram. Tinha um rapaz meio cabeludo tentando calçar um tênis 39 sem sucesso que fumava também. Acho que os cigarros eram dele. Mas não sei se ele tinha isqueiro porque o vi tentando ascender o cigarro na boca do fogão quando queimou as mechas da frente do seu cabelo. Ele até se assustou, mas rapidamente apagou com a mão direita, tossiu duas vezes e olhou em volta para saber se era assunto ou motivo de piada em alguma mesa.
Enfim.
Conversamos sobre coisas que se conversa quando você não encontra um amigo há muito tempo. Ela tinha casos para me contar e eu fatos, no fundo desculpas que arrumamos para que nossas vidas fiquem um pouco mais interessantes. O cigarro é uma delas.
Fizemos questão de beber além da conta. A todo momento a conversa era interrompida para irmos até a cozinha buscar mais cerveja. Meu passo é mais largo que o dela, tenho pernas mais compridas e de alguma forma mais urgência de vida. As nossas angústias são quase as mesmas. As paixões também. Estava com saudades e não sabia. Falamos por alto sobre os assuntos banais e nos empolgávamos a cada momento, notando que o assunto preferido estava chegando. O nariz coça incomodado pela fumaça e a cerveja nem está tão gelada assim, mas o ritmo não para e nem os olhares em busca talvez, de uma real motivação, algo concreto para se deixar levar. Quanto mais enfeite, melhor.
Um tapa, dois tapas. Vejo a emergência em que seu corpo se encontra, algo precisa ser dito. Algumas frases de efeito, pensamentos formados pela defensiva, o efeito do álcool esquentando o sangue... “Se eu pudesse, estaria com ela agora.”, eu penso. Tudo nela pulsa, é vida, é cor. Ela está pronta, pena é não perceber... Deixa pra lá
sábado, 28 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Enrustidos
Essa carta será escrita no escuro, na ausência de minha própria consciência. Prefiro pensar assim a acreditar no fato de te desejar silenciosamente, no canto escondido dos meus quereres, só pela curiosidade.
Em algum lugar você mexe comigo.
Em meio suas mentiras eu vejo meu rosto chegando perto do seu, minha mão da sua... Imagino o beijo, imagino o cheiro, imagino o calor.
O encaixe.
O coração batendo um pouco mais acelerado. A ânsia e a angústia do momento se diluindo no prazer e na excitação que a sensação de liberdade nos traz.
A contração dos sexos transforma em líquido todo o meu corpo e eu só sei pensar em deslizar você.
Antes que eu me permita perceber volto a mim e deixo nascer um leve sorriso que mora na liberdade.
Não sei por onde, não sei quando e, sinceramente não cobiço respostas. O que me move é a questão.
Em algum lugar você mexe comigo.
Em meio suas mentiras eu vejo meu rosto chegando perto do seu, minha mão da sua... Imagino o beijo, imagino o cheiro, imagino o calor.
O encaixe.
O coração batendo um pouco mais acelerado. A ânsia e a angústia do momento se diluindo no prazer e na excitação que a sensação de liberdade nos traz.
A contração dos sexos transforma em líquido todo o meu corpo e eu só sei pensar em deslizar você.
Antes que eu me permita perceber volto a mim e deixo nascer um leve sorriso que mora na liberdade.
Não sei por onde, não sei quando e, sinceramente não cobiço respostas. O que me move é a questão.
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