São 22:01h e ela acabou de sair do banho. Dá para sentir o cheiro do perfume do hidratante daqui. Pé apoiado no vaso sanitário em uma cena clássica de deleite. Meu deleite. As mãos subindo dos pés à coxa, massageando cada pedaço de pele lisa, branca. Ela está usando um hidratante diferente, mais cheiroso, deixando claro que a noite será fértil. Quero que seja fértil.
Colocou uma lingerie preta – ela fica linda de preto. Passa as mãos nos cabelos ondulados, os deixa cair sobre o ombro esquerdo e me pede para abotoar o sutiã, como quem passa só o dedo de doce na boca de uma criança. Seguro as alças e olho por cima do ombro direito, como ela espera que eu faça, procurando seu colo.
Seu seios são perfeitos, esnobes, rosados. Foram os primeiros a despertar minha curiosidade quando a conheci. Sob a blusa verde, apertada, assistia o seu espreguiçar naquela mesa de bar hipnotizado, sem saber se seria capaz de voltar a mim, querendo me perder ali naquele momento como um bebê faminto. Ela percebeu - como não perceberia meus olhos derretidos, minha língua a passear pelo céu da boca, salivante? - e, exibida que só, fez questão de precisar se alongar mais um pouco. Eu adorei. Talvez mais alguns também.
O vestido de seda azul fui eu que dei. A seda tocando seu corpo me faz entender como uma mulher deve ser tocada. Um tocar tão leve que estimula qualquer fio a se levantar e ver o que acontece, calmo, degustado, fresco. Um não-tocar ouriçante soberbo. A maquiagem é leve, o perfume é natural.
- Você tem certeza? – Ela me perguntou.
- Toda, eu afirmei.
- Como estou?
- Como se pecasse a todo segundo.
Se debruçou sobre mim e me beijou. Doce. Seu beijo confunde, parece-me brincar com uma lichia bem lisa, daquelas que águam a boca só de tocar a língua. Com minhas mãos em seus quadris me senti instigado a acariciá-la e sugar aquele pedaço de pele para a minha palma, levantando o seu vestido azul por conseqüência. Não o fiz e alimentei nela ainda mais a idéia da proposta feita. Estava excitado com a possibilidade que se abriria a partir daquela noite. Ela não precisava dizer nada, era só olhá-la que seu corpo respondia com precisão.
Assim, ela atravessou a porta às 22:43h para voltar depois das 03:30h um pouco menos imaculada. Eu a esperava acordado.
domingo, 25 de julho de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
"Yé yé omo ejá"
Mudanças que o vento traz
Com minha letra infantil
Escrevo
As ondas do mar-arraz
Da África e do Brasil
Almejo
Cria das ondas e das nuances
Fertilidade que pári uma dezena
de centenas de milhares
Em meio a todos
Me escolheu para se parir
Aos 24 anos de idade
Com minha letra infantil
Escrevo
As ondas do mar-arraz
Da África e do Brasil
Almejo
Cria das ondas e das nuances
Fertilidade que pári uma dezena
de centenas de milhares
Em meio a todos
Me escolheu para se parir
Aos 24 anos de idade
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Roupa Suja
Sobre aquela noite eu prefiro não comentar. Eu tinha bebido um pouco e conversado com uma amiga sobre assuntos do coração. É onde as mulheres lavam suas calcinhas, não há como não se alterar!
Mudamos de cadeira algumas vezes, roubamos uns cigarros, não sei bem ao certo de quem eram. Tinha um rapaz meio cabeludo tentando calçar um tênis 39 sem sucesso que fumava também. Acho que os cigarros eram dele. Mas não sei se ele tinha isqueiro porque o vi tentando ascender o cigarro na boca do fogão quando queimou as mechas da frente do seu cabelo. Ele até se assustou, mas rapidamente apagou com a mão direita, tossiu duas vezes e olhou em volta para saber se era assunto ou motivo de piada em alguma mesa.
Enfim.
Conversamos sobre coisas que se conversa quando você não encontra um amigo há muito tempo. Ela tinha casos para me contar e eu fatos, no fundo desculpas que arrumamos para que nossas vidas fiquem um pouco mais interessantes. O cigarro é uma delas.
Fizemos questão de beber além da conta. A todo momento a conversa era interrompida para irmos até a cozinha buscar mais cerveja. Meu passo é mais largo que o dela, tenho pernas mais compridas e de alguma forma mais urgência de vida. As nossas angústias são quase as mesmas. As paixões também. Estava com saudades e não sabia. Falamos por alto sobre os assuntos banais e nos empolgávamos a cada momento, notando que o assunto preferido estava chegando. O nariz coça incomodado pela fumaça e a cerveja nem está tão gelada assim, mas o ritmo não para e nem os olhares em busca talvez, de uma real motivação, algo concreto para se deixar levar. Quanto mais enfeite, melhor.
Um tapa, dois tapas. Vejo a emergência em que seu corpo se encontra, algo precisa ser dito. Algumas frases de efeito, pensamentos formados pela defensiva, o efeito do álcool esquentando o sangue... “Se eu pudesse, estaria com ela agora.”, eu penso. Tudo nela pulsa, é vida, é cor. Ela está pronta, pena é não perceber... Deixa pra lá
Mudamos de cadeira algumas vezes, roubamos uns cigarros, não sei bem ao certo de quem eram. Tinha um rapaz meio cabeludo tentando calçar um tênis 39 sem sucesso que fumava também. Acho que os cigarros eram dele. Mas não sei se ele tinha isqueiro porque o vi tentando ascender o cigarro na boca do fogão quando queimou as mechas da frente do seu cabelo. Ele até se assustou, mas rapidamente apagou com a mão direita, tossiu duas vezes e olhou em volta para saber se era assunto ou motivo de piada em alguma mesa.
Enfim.
Conversamos sobre coisas que se conversa quando você não encontra um amigo há muito tempo. Ela tinha casos para me contar e eu fatos, no fundo desculpas que arrumamos para que nossas vidas fiquem um pouco mais interessantes. O cigarro é uma delas.
Fizemos questão de beber além da conta. A todo momento a conversa era interrompida para irmos até a cozinha buscar mais cerveja. Meu passo é mais largo que o dela, tenho pernas mais compridas e de alguma forma mais urgência de vida. As nossas angústias são quase as mesmas. As paixões também. Estava com saudades e não sabia. Falamos por alto sobre os assuntos banais e nos empolgávamos a cada momento, notando que o assunto preferido estava chegando. O nariz coça incomodado pela fumaça e a cerveja nem está tão gelada assim, mas o ritmo não para e nem os olhares em busca talvez, de uma real motivação, algo concreto para se deixar levar. Quanto mais enfeite, melhor.
Um tapa, dois tapas. Vejo a emergência em que seu corpo se encontra, algo precisa ser dito. Algumas frases de efeito, pensamentos formados pela defensiva, o efeito do álcool esquentando o sangue... “Se eu pudesse, estaria com ela agora.”, eu penso. Tudo nela pulsa, é vida, é cor. Ela está pronta, pena é não perceber... Deixa pra lá
sábado, 28 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Enrustidos
Essa carta será escrita no escuro, na ausência de minha própria consciência. Prefiro pensar assim a acreditar no fato de te desejar silenciosamente, no canto escondido dos meus quereres, só pela curiosidade.
Em algum lugar você mexe comigo.
Em meio suas mentiras eu vejo meu rosto chegando perto do seu, minha mão da sua... Imagino o beijo, imagino o cheiro, imagino o calor.
O encaixe.
O coração batendo um pouco mais acelerado. A ânsia e a angústia do momento se diluindo no prazer e na excitação que a sensação de liberdade nos traz.
A contração dos sexos transforma em líquido todo o meu corpo e eu só sei pensar em deslizar você.
Antes que eu me permita perceber volto a mim e deixo nascer um leve sorriso que mora na liberdade.
Não sei por onde, não sei quando e, sinceramente não cobiço respostas. O que me move é a questão.
Em algum lugar você mexe comigo.
Em meio suas mentiras eu vejo meu rosto chegando perto do seu, minha mão da sua... Imagino o beijo, imagino o cheiro, imagino o calor.
O encaixe.
O coração batendo um pouco mais acelerado. A ânsia e a angústia do momento se diluindo no prazer e na excitação que a sensação de liberdade nos traz.
A contração dos sexos transforma em líquido todo o meu corpo e eu só sei pensar em deslizar você.
Antes que eu me permita perceber volto a mim e deixo nascer um leve sorriso que mora na liberdade.
Não sei por onde, não sei quando e, sinceramente não cobiço respostas. O que me move é a questão.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Boca d'água
Já diz a minha avó:
- A água lava tudo, só não lava a boca suja! Quem mete a boca em boeiros, pênis, copos de bar, vaginas, cigarros, outras bocas. Em outras bocas que metem a boca em boeiros, pênis, copos de bar, vaginas, cigarros, bocas limpas que nem palavrões dizem.
Bocas infantis
Bocas de ouro
Bocas de sinuca
BOCACABOBOCAGE
Quem mete o olho na boca de Bocage e o olho na língua da boca que mexe e molha a saliva da língua do dente da gengiva das ondas do céu.
A boca que saliva ao olhar a boca que prega e seduz a minha língua que molha minha saliva do dente da gengiva das ondas do meu céu.
Mais água para mim, por favor.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Pureza
Se todo poeta tem que ter um quê de triste, ele há de ser, então, um grande poeteiro.
No seu olhar esbarram-se a pureza da primeira decepção de uma criança e a dor acimentada de quem amou cem vezes e perdeu cem amores.
Em toda confiança há um quê de pureza. Em toda decepção também.
É preciso ser malandro para se confiar em alguém sem se decepcionar, mas também há um quê de pureza em se bancar malandro.
Tristeza é preciso. Pureza também.
Sendo devorada por seu olhar, corrigi Vinícius:
" Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de pureza
Senão não se faz um samba, não"
No seu olhar esbarram-se a pureza da primeira decepção de uma criança e a dor acimentada de quem amou cem vezes e perdeu cem amores.
Em toda confiança há um quê de pureza. Em toda decepção também.
É preciso ser malandro para se confiar em alguém sem se decepcionar, mas também há um quê de pureza em se bancar malandro.
Tristeza é preciso. Pureza também.
Sendo devorada por seu olhar, corrigi Vinícius:
" Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de pureza
Senão não se faz um samba, não"
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Corte fundo
Na pré-estréia do filme sexual que o namorado faz, a namorada enciumada, de saco cheio, saturada, entediada e viciada sai para fumar um cigarro. Na porta do teatro, enquanto fuma, ela conhece alguém interessante.
***
Na tentativa de ignorar o pensamento, às vezes me sinto patética.
As imagens são fortes, a boca saliva, o coração dispara, os olhos cerram-se
com força, como se essa força fosse mandar o fantasma embora.
Nada acontece.
Me sinto inútil, infértil, incrédula, inerte, invisível.
Nada acontece.
Uso palavras afiadas com fino fél e discreto corte
para tentar fechar a ferida.
Acontece que sangra, mas apenas em mim.
Se de um lado eu sou grito, manha, ferida quente aberta, cactus;
do outro você é maresia, sussurros, sensações lânguidas, flocos de neve virgens.
Nada acontece. Às vezes me sinto patética.
***
Na tentativa de ignorar o pensamento, às vezes me sinto patética.
As imagens são fortes, a boca saliva, o coração dispara, os olhos cerram-se
com força, como se essa força fosse mandar o fantasma embora.
Nada acontece.
Me sinto inútil, infértil, incrédula, inerte, invisível.
Nada acontece.
Uso palavras afiadas com fino fél e discreto corte
para tentar fechar a ferida.
Acontece que sangra, mas apenas em mim.
Se de um lado eu sou grito, manha, ferida quente aberta, cactus;
do outro você é maresia, sussurros, sensações lânguidas, flocos de neve virgens.
Nada acontece. Às vezes me sinto patética.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Da Não-Obrigação de Escrever no Blog - parte 2
Pensamentos de uma adolescente fútil que gostaria de passar pelo mundo e ser lembrada, afinal viver 90 anos e não fazer nada de memorável não tá com nada!
Então, finalmente , depois de tanto tempo pensei: “ – E se eu voltar a escrever ? ” Só o pensamento me entusiasmou de tal forma que comecei a falar em voz alta sobre o que escreveria quando chegasse em casa. Sozinha, no volante, falei de vontades, desejos, comidas, cores, músicas, pessoas, enfim...Conversei comigo mesma sobre aquilo que queria, podia, deveria e quando o assunto banal acabou, pensei que poderia começar a escrever, mesmo que mentalmente, sobre que eu realmente queria falar com tanto entusiasmo. Mas nada me ocorria. Nada, nada. Hmmm ... não,nada! Que bela escritora me saí. Eu tinha a vontade, o entusiasmo, mas estava me faltando inspiração. Insssssspiração.
Como isso aconteceu? Como eu poderia deixar que a inspiração, ou a falta dela, me impedisse de por no papel minhas inquietações? Não fazia sentido! Afinal, que é inspiração? Seria o talento, vocação ou o difícil exercício de transformar situações triviais em algo que tenha qualquer coisa de poético?
...e essa inquietação que é a vontade infértil de produzir não é nenhum tipo de santo que se baixa em poucos privilegiados ... Fiquei frustrada. Decidi escrever sobre a vontade de escrever e ver o que aconteceria. No segundo parágrafo soltei a caneta e fui assistir um filme.
Então, finalmente , depois de tanto tempo pensei: “ – E se eu voltar a escrever ? ” Só o pensamento me entusiasmou de tal forma que comecei a falar em voz alta sobre o que escreveria quando chegasse em casa. Sozinha, no volante, falei de vontades, desejos, comidas, cores, músicas, pessoas, enfim...Conversei comigo mesma sobre aquilo que queria, podia, deveria e quando o assunto banal acabou, pensei que poderia começar a escrever, mesmo que mentalmente, sobre que eu realmente queria falar com tanto entusiasmo. Mas nada me ocorria. Nada, nada. Hmmm ... não,nada! Que bela escritora me saí. Eu tinha a vontade, o entusiasmo, mas estava me faltando inspiração. Insssssspiração.
Como isso aconteceu? Como eu poderia deixar que a inspiração, ou a falta dela, me impedisse de por no papel minhas inquietações? Não fazia sentido! Afinal, que é inspiração? Seria o talento, vocação ou o difícil exercício de transformar situações triviais em algo que tenha qualquer coisa de poético?
...e essa inquietação que é a vontade infértil de produzir não é nenhum tipo de santo que se baixa em poucos privilegiados ... Fiquei frustrada. Decidi escrever sobre a vontade de escrever e ver o que aconteceria. No segundo parágrafo soltei a caneta e fui assistir um filme.
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