Essa carta será escrita no escuro, na ausência de minha própria consciência. Prefiro pensar assim a acreditar no fato de te desejar silenciosamente, no canto escondido dos meus quereres, só pela curiosidade.
Em algum lugar você mexe comigo.
Em meio suas mentiras eu vejo meu rosto chegando perto do seu, minha mão da sua... Imagino o beijo, imagino o cheiro, imagino o calor.
O encaixe.
O coração batendo um pouco mais acelerado. A ânsia e a angústia do momento se diluindo no prazer e na excitação que a sensação de liberdade nos traz.
A contração dos sexos transforma em líquido todo o meu corpo e eu só sei pensar em deslizar você.
Antes que eu me permita perceber volto a mim e deixo nascer um leve sorriso que mora na liberdade.
Não sei por onde, não sei quando e, sinceramente não cobiço respostas. O que me move é a questão.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Boca d'água
Já diz a minha avó:
- A água lava tudo, só não lava a boca suja! Quem mete a boca em boeiros, pênis, copos de bar, vaginas, cigarros, outras bocas. Em outras bocas que metem a boca em boeiros, pênis, copos de bar, vaginas, cigarros, bocas limpas que nem palavrões dizem.
Bocas infantis
Bocas de ouro
Bocas de sinuca
BOCACABOBOCAGE
Quem mete o olho na boca de Bocage e o olho na língua da boca que mexe e molha a saliva da língua do dente da gengiva das ondas do céu.
A boca que saliva ao olhar a boca que prega e seduz a minha língua que molha minha saliva do dente da gengiva das ondas do meu céu.
Mais água para mim, por favor.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Pureza
Se todo poeta tem que ter um quê de triste, ele há de ser, então, um grande poeteiro.
No seu olhar esbarram-se a pureza da primeira decepção de uma criança e a dor acimentada de quem amou cem vezes e perdeu cem amores.
Em toda confiança há um quê de pureza. Em toda decepção também.
É preciso ser malandro para se confiar em alguém sem se decepcionar, mas também há um quê de pureza em se bancar malandro.
Tristeza é preciso. Pureza também.
Sendo devorada por seu olhar, corrigi Vinícius:
" Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de pureza
Senão não se faz um samba, não"
No seu olhar esbarram-se a pureza da primeira decepção de uma criança e a dor acimentada de quem amou cem vezes e perdeu cem amores.
Em toda confiança há um quê de pureza. Em toda decepção também.
É preciso ser malandro para se confiar em alguém sem se decepcionar, mas também há um quê de pureza em se bancar malandro.
Tristeza é preciso. Pureza também.
Sendo devorada por seu olhar, corrigi Vinícius:
" Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de pureza
Senão não se faz um samba, não"
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Corte fundo
Na pré-estréia do filme sexual que o namorado faz, a namorada enciumada, de saco cheio, saturada, entediada e viciada sai para fumar um cigarro. Na porta do teatro, enquanto fuma, ela conhece alguém interessante.
***
Na tentativa de ignorar o pensamento, às vezes me sinto patética.
As imagens são fortes, a boca saliva, o coração dispara, os olhos cerram-se
com força, como se essa força fosse mandar o fantasma embora.
Nada acontece.
Me sinto inútil, infértil, incrédula, inerte, invisível.
Nada acontece.
Uso palavras afiadas com fino fél e discreto corte
para tentar fechar a ferida.
Acontece que sangra, mas apenas em mim.
Se de um lado eu sou grito, manha, ferida quente aberta, cactus;
do outro você é maresia, sussurros, sensações lânguidas, flocos de neve virgens.
Nada acontece. Às vezes me sinto patética.
***
Na tentativa de ignorar o pensamento, às vezes me sinto patética.
As imagens são fortes, a boca saliva, o coração dispara, os olhos cerram-se
com força, como se essa força fosse mandar o fantasma embora.
Nada acontece.
Me sinto inútil, infértil, incrédula, inerte, invisível.
Nada acontece.
Uso palavras afiadas com fino fél e discreto corte
para tentar fechar a ferida.
Acontece que sangra, mas apenas em mim.
Se de um lado eu sou grito, manha, ferida quente aberta, cactus;
do outro você é maresia, sussurros, sensações lânguidas, flocos de neve virgens.
Nada acontece. Às vezes me sinto patética.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Da Não-Obrigação de Escrever no Blog - parte 2
Pensamentos de uma adolescente fútil que gostaria de passar pelo mundo e ser lembrada, afinal viver 90 anos e não fazer nada de memorável não tá com nada!
Então, finalmente , depois de tanto tempo pensei: “ – E se eu voltar a escrever ? ” Só o pensamento me entusiasmou de tal forma que comecei a falar em voz alta sobre o que escreveria quando chegasse em casa. Sozinha, no volante, falei de vontades, desejos, comidas, cores, músicas, pessoas, enfim...Conversei comigo mesma sobre aquilo que queria, podia, deveria e quando o assunto banal acabou, pensei que poderia começar a escrever, mesmo que mentalmente, sobre que eu realmente queria falar com tanto entusiasmo. Mas nada me ocorria. Nada, nada. Hmmm ... não,nada! Que bela escritora me saí. Eu tinha a vontade, o entusiasmo, mas estava me faltando inspiração. Insssssspiração.
Como isso aconteceu? Como eu poderia deixar que a inspiração, ou a falta dela, me impedisse de por no papel minhas inquietações? Não fazia sentido! Afinal, que é inspiração? Seria o talento, vocação ou o difícil exercício de transformar situações triviais em algo que tenha qualquer coisa de poético?
...e essa inquietação que é a vontade infértil de produzir não é nenhum tipo de santo que se baixa em poucos privilegiados ... Fiquei frustrada. Decidi escrever sobre a vontade de escrever e ver o que aconteceria. No segundo parágrafo soltei a caneta e fui assistir um filme.
Então, finalmente , depois de tanto tempo pensei: “ – E se eu voltar a escrever ? ” Só o pensamento me entusiasmou de tal forma que comecei a falar em voz alta sobre o que escreveria quando chegasse em casa. Sozinha, no volante, falei de vontades, desejos, comidas, cores, músicas, pessoas, enfim...Conversei comigo mesma sobre aquilo que queria, podia, deveria e quando o assunto banal acabou, pensei que poderia começar a escrever, mesmo que mentalmente, sobre que eu realmente queria falar com tanto entusiasmo. Mas nada me ocorria. Nada, nada. Hmmm ... não,nada! Que bela escritora me saí. Eu tinha a vontade, o entusiasmo, mas estava me faltando inspiração. Insssssspiração.
Como isso aconteceu? Como eu poderia deixar que a inspiração, ou a falta dela, me impedisse de por no papel minhas inquietações? Não fazia sentido! Afinal, que é inspiração? Seria o talento, vocação ou o difícil exercício de transformar situações triviais em algo que tenha qualquer coisa de poético?
...e essa inquietação que é a vontade infértil de produzir não é nenhum tipo de santo que se baixa em poucos privilegiados ... Fiquei frustrada. Decidi escrever sobre a vontade de escrever e ver o que aconteceria. No segundo parágrafo soltei a caneta e fui assistir um filme.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
aquela lua daquela segunda.

Pra pintar a lua o dia precisa escurecer.
Peço pro dia para que se retire e permita a chegada da deusa.
Deixa ela, que é tão vaidosa se exibir. Gorda, cheia de nuances, sensual. Sem defeitos.
Totalmente nua. Nualua.
Carimbo divino. Charme da Via Láctea. Charme da vida.
Vou escrever uma música pra ela. Pra essa Gabriela no telhado. Matusquela.
Nada ousa te ofuscar: nem a grade da minha varanda, nem o avião que cruza o céu.
Os gatos entram no cio por tua volúpia e gemem nos telhados por tua inconstância.
Sua sedução é culpada. E linda.
Quero ser tua, lua.
Quero ser culpada. E redonda e exibida.
Escurece dia, para a lua pintar.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Clichê contemporâneo.
terça-feira, 7 de julho de 2009
O presente do sorriso
Pedro me deu um sorriso de presente
Ele o viu e disse: " Esse sorriso é seu!"
Na foto eu tinha o mesmo sorriso. Ele o viu e disse: Esse sorriso é seu. É a sua cara!"
Entendi que ganhei um sorriso. Pedro me deu um sorriso.
Foi lindo.
Quando fui ao espelho reconheci no meu rosto o sorriso que me foi dado. Pensei: " O meu sorriso. Meu mesmo."
Aquele sorriso é só meu e só nasceu porque olhei para Pedro.
Mas foi o olho do Pedro que o viu com o ouvido sensível do Pedro
o lábio sensível do Pedro
Parece brilho. Salta para fora.
Ele me destaca.
Ele o viu e disse: " Esse sorriso é seu!"
Na foto eu tinha o mesmo sorriso. Ele o viu e disse: Esse sorriso é seu. É a sua cara!"
Entendi que ganhei um sorriso. Pedro me deu um sorriso.
Foi lindo.
Quando fui ao espelho reconheci no meu rosto o sorriso que me foi dado. Pensei: " O meu sorriso. Meu mesmo."
Aquele sorriso é só meu e só nasceu porque olhei para Pedro.
Mas foi o olho do Pedro que o viu com o ouvido sensível do Pedro
o lábio sensível do Pedro
Parece brilho. Salta para fora.
Ele me destaca.
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